nos conhecemos nas escadas da entrada do maior prédio da cidade: você veio pedir um cigarro e eu acabei oferecendo dois, afinal, você sabe, é sempre bom ter um de reserva e a gente nunca sabe quando vai econtrar alguém disposto a nos dar mais um.
nos encontramos de novo na saída. eu não lembrava o seu nome, mas você, aparentemente, gostou de repetir o meu: chamou-me três vezes até eu resolver olhar pra trás. mais um cigarro juntos e decidimos que você deveria ter meu telefone.
naquela noite você ligou e queria me encontrar. é claro que eu não fui. você disse, então, que pelo menos agora eu também teria o seu número. dormi pensando em você.
e não, eu ainda não lembrava o seu nome.
passamos semanas trocando algumas mensagens e cada sumiço seu me jogava em algum lugar da minha imaginação, me fazendo elaborar infinitas teorias absurdas para explicar o fato de que, talvez, você não estivesse mais interessado em mim.
ontem vi uma foto sua. descobri que você era ruivo. como eu não lembrava disso? pra ser sicera, não sei se lembro de você. criei tantas histórias na minha cabeça que perdi você dentro de mim. entre os 4 filhos que teremos e a nossa casa no campo com os cavalos da sua mãe, não sei se você realmente gosta de suco de maçã ou se eu simplesmente inventei isso. as minhas expectativas estão vindo de algum lugar da minha imaginação, onde eu crio coisas pra me distrair.
metade da minha vida só acontece graças à minha habilidade de imaginar. mas parece que todas as partes de mim finalmente encontraram-se e concordaram em um unico aspecto: todas elas querem que você aconteça.
e eu mal posso esperar.
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